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Supervisão Clínico-Institucional: fundamentos e prática

O que é supervisão clínico-institucional?


A supervisão pode ter uma conotação de uma visão (outra) sobre algo e de uma visão superior, de alguém que sabe algo além, que ensina os outros, os quais não sabem. Em psicanálise, entendemos que o saber tem lacunas, furos, vazios. Assim sendo, o trabalho da supervisão eleva o vazio em sua potência, uma vez que o trabalho é feito com o relato do analista sobre as questões daqueles que são atendidos por ele, constituindo, dessa forma, um trabalho de supervisão que é por procuração: aquele que escutou sobre o sofrimento do sujeito e quer saber sobre o que sofre, agora demanda saber o que fazer com isso (Figueiredo; Vieira, 1997).


Supervisão em psicanálise: saber, vazio e singularidade


O trabalho da supervisão se dá na intersecção entre teoria e clínica. É precisamente aquilo que se dá na clínica que remete à teoria, tornando o saber singular e não universal. Assim, o supervisor não prescreve nem direciona condutas a partir de uma teoria mais ampla dos casos, mas trabalha com aquilo que já foi feito, reconhecendo o ato e dando condições para que o profissional que está em supervisão sustente seu fazer clínico, produzindo saberes sobre os efeitos de seus atos, criando um novo saber.

O sujeito aqui é sempre o paciente, e o trabalho do analista, sustentado também pelo supervisor clínico, é o de analisar e elaborar fenômenos que dizem respeito à fala dos sujeitos, às intervenções de quem os escuta e aos efeitos advindos desses encontros como novos acontecimentos (Figueiredo; Vieira, 1997).


Supervisão clínica e institucional: para quem se destina?


A supervisão clínica e institucional, assim, é um espaço de reflexão e elaboração sobre a prática profissional, voltado a psicólogos, psiquiatras, psicoterapeutas, psicanalistas, equipes de saúde em geral e da educação. Por meio de encontros individuais ou em grupo, a supervisão oferece suporte à condução de casos clínicos, à análise das relações institucionais, de suas formas de operar, e aos impasses que atravessam o trabalho cotidiano.


Poder, instituição e análise nas supervisões clínico-institucionais


No caso das supervisões clínico-institucionais, é essencial que esse espaço seja protegido para que as formas de poder possam ser colocadas em análise e o momento da supervisão se configure como uma suspensão temporária do lugar de chefia, de modo que a análise leve em conta as dimensões mítica e simbólica do poder, uma vez que, sem isso, as mudanças na estrutura formal do poder institucional não se transformarão.

Também é essencial, nesse tipo de supervisão, que não sejam ofertados apenas analisadores, mas também arranjos institucionais que favoreçam espaços democráticos, de compartilhamento de responsabilidades, em que cada sujeito se veja implicado na construção conjunta do objetivo comum do trabalho (Onocko-Campos, 2014).


Imagem da Obra El Consultorio del Psicoanlista de Leandro Erlich
Em El Consultorio del Psicoanalista (2006), instalação de Leandro Erlich, o espaço clínico e institucional é tensionado, convidando à reflexão sobre escuta, poder e produção de saber.

Objetivos da supervisão clínico-institucional


A supervisão busca, desse modo, sustentar o pensamento clínico, qualificar as intervenções e ampliar a compreensão dos contextos subjetivos e institucionais, respeitando a singularidade de cada prática e as especificidades de cada campo de atuação.


Referências bibliográficas


FIGUEIREDO, A. C.; VIEIRA, M. A. Sobre a supervisão: do saber sobre a psicanálise ao saber psicanalítico. Cadernos IPUB (UFRJ), Rio de Janeiro, v. 9, p. 25–30, 1997.


ONOCKO-CAMPOS, R. Psicanálise e saúde coletiva: interfaces. 2. ed. São Paulo: Hucitec, 2014.

 
 
 

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