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Como se dá o processo de psicoterapia de base psicanalítica?

Atualizado: 12 de jan.


A psicoterapia de base psicanalítica inicia-se com entrevistas, cujo objetivo é a obtenção de uma visão geral sobre a vida e a história do sujeito, possibilitando a identificação de seu sofrimento. É trabalho do analista provocar perguntas no sujeito, fazendo com que ele se questione e identifique sintomas, entendidos, pela psicanálise, como uma linguagem que não é clara nem direta, mas que cabe decifrar (Mannoni, 2004).


A escuta clínica nas entrevistas iniciais


É função das entrevistas iniciais acolher as manifestações do inconsciente, auxiliando o analisando a estabelecer associações entre o que se passa no momento presente de sua vida e sua própria história. É também nesse momento da análise que se constrói a relação entre analista e analisando, devendo o analista se posicionar de modo a evitar quaisquer tipos de pré-conceitos ou julgamentos.


A metamorfose de Narciso de Salvador Dali
A Metamorfose de Narciso, de Salvador Dalí (1937), evoca o processo analítico como um movimento de deslocamento da imagem idealizada de si para a construção de novos sentidos sobre o próprio desejo.

O que acontece nas primeiras sessões de psicanálise


Nesses encontros iniciais, cria-se um ambiente de confiança para que o analisando possa expressar livremente suas experiências, pensamentos, fantasias e sonhos, bem como fazer associações sobre eles. Esse espaço é fundamental para que a fala do sujeito possa se desenvolver sem direcionamentos prévios.


A suposição de saber na psicanálise


Nos primeiros encontros, os analisandos frequentemente veem o analista como aquele que sabe os caminhos certos para findar o sofrimento do qual o sujeito se queixa — alguém com amplo conhecimento sobre os processos psíquicos e capaz de resolver os problemas de seus pacientes.

No entanto, o que se supõe saber na psicanálise é o inconsciente do analisando. Assim, o analista deve agir de modo a instigar o sujeito, por meio de interpretações, perguntas, pontuações, entre outras estratégias, a atribuir, por si só, sentido às suas falas, desejos, fantasias e comportamentos. Dessa forma, o saber sobre o sujeito em análise não está no terapeuta, mas nas manifestações do inconsciente do analisando.


O inconsciente como lugar do saber


As manifestações do inconsciente se revelam por meio de atos falhos, erros, sonhos e expressões de surpresa, aos quais o terapeuta ajudará a dar lugar de escuta, favorecendo que esses elementos possam ser trabalhados no processo analítico (Fink, 2018).


O lugar do analista no processo psicanalítico


Ao criar um espaço em que o sujeito possa confrontar e trabalhar seus próprios mecanismos de defesa e fantasias, a análise busca promover mudanças na forma como o indivíduo percebe a si mesmo e se relaciona com o mundo externo. Conforme o processo analítico avança, o analista tende a se colocar em uma posição mais passiva, de ouvinte.

No entanto, como afirma Lacan, “o analista é tudo, menos um ouvinte neutro” (Lacan apud Fink, 2018, p. 22). O analista permanece ativo e atento às ambiguidades relevantes no discurso do sujeito. Por esse motivo, não pode ser compreendido como alguém que está apenas ouvindo: ele escuta e acrescenta impressões às falas do analisando, provocando deslocamentos na posição subjetiva daqueles que atende.


Psicanálise e transformação subjetiva


Ao longo do processo analítico, o trabalho com a fala, as associações e as manifestações do inconsciente possibilita que o sujeito construa novas formas de se relacionar consigo mesmo e com seu sofrimento. A psicoterapia de base psicanalítica se desenvolve respeitando o tempo e a singularidade de cada sujeito, sem a oferta de soluções prontas ou universais.



Texto escrito por Vanessa Eda Paz Leite, psicóloga psicanalista (CRP 13/7756), integrante da Clínica Paralaxe.



Referências bibliográficas


FINK, Bruce. Introdução clínica à psicanálise lacaniana. 1ª edição. Rio de Janeiro: Editora Zahar, 2018.


MANNONI, Maud. A primeira entrevista em psicanálise: um clássico da psicanálise. 2ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. 9ª reimpressão.


 
 
 

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